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Do Esmael Morais
* Veneri prevê um ‘massacre’ na região se houver confronto
 Massacre muito próximo.
O deputado federal André Vargas, secretário nacional de Comunicação do PT, denunciou na tarde desta quinta-feira (26) a gestação uma armação política para atingir politicamente a candidatura de Osmar Dias (PDT) ao governo do estado.
Segundo o petista, é iminente a possibilidade de conflito entre policiais militares e trabalhadores sem-terra que ocupam a fazenda família Atalla, em Porecatu, no Norte do estado, dona da maior usina de álcool e açúcar.
“Não há necessidade de fazer a desocupação, pois está em curso a desapropriação de 6 mil alqueires da referida fazenda”, informa o parlamentar, que acompanha o imbróglio com muita atenção.
“Utilizar 1,5 mil policiais numa ação de despejo numa fazenda em processo de desapropriação é, na verdade, uma armação contra a campanha de Osmar Dias”, denuncia Vargas.
Para ele, a ação da PM visa estabelecer a confusão paralelamente à festa programada para amanhã na Fazenda Guairacá, na região de Londrina, onde o Incra assentará 700 famílias em 2,5 mil alqueires.
A tragédia bate à porta
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) também está acompanhando o conflito na região desde domingo (22), quando o batalhão de Rolândia chegou na área.
De acordo com Veneri, o governador Orlando Pessuti (PMDB) — licenciado em virtude de uma viagem internacional — e o governador em exercício Celso Rotoli de Macedo, presidente do Tribunal de Justiça (TJ), não autorizaram a ação da PM em Porecatu, mas o comando do batalhão insiste em fazer a desocupação por conta própria.
“Já houve tiros. Se a PM insistir nessa desocupação ocorrerá uma tragédia muito pior daquela em Eldorado dos Carajás, no Pará, onde morreram 19 trabalhadores sem-terra foram massacrados pela polícia”, prevê Veneri.
Onde fica
O município de Porecatu fica na região Norte Central, a 465 km de Curitiba. Possui cerca de 15 mil habitantes e a economia depende basicamente da agricultura com destaque à cana-de-açúcar.
A maior empregadora da cidade é a Usina Central Paraná (UCP), do do mesma família Atalla, que tem graves problemas trabalhistas e financeiros.
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Minhas considerações:
Quem não conhece a realidade política de Porecatu, pode achar que tudo isso não passa de uma ‘grande palhaçada’, como anunciam alguns.
Porecatu sempre foi uma terra que, historicamente, dependeu da Usina… desde os tempos da família Lunardelli (inclua-se, aí, Paulo Pimentel), passando pelo Grupo Atalla e suas ameaças constantes de ‘fechamento da UCP’ após eleições, caso seus candidatos não ganhassem as eleições.
Porque posso falar de lá? Minha família foi a 8ª a chegar na cidade, me criei por lá, vivenciei a experiência política local na pele, pois meu já faleci avô e meus pais, sempre estiveram envolvidos nos processos eleitorais, assim como eu mesmo.
Dizer que cheira a “factóide”, a “invencionices”, só pode ser dito por quem, realmente, nunca pisou naquela terra vermelha, que consumiu muito sangue dos que morreram por causa da grilagem, bem como nos campos de cana, por causa dos maus cuidados e péssimas condições de trabalho.
O alerta é real… se é armação, ou não, o tempo dirá… o que é claro, é que em Alvorada do Sul (cidade vizinha), já aconteceu um princípio de confronto. E isso é sinal claro de que há um sério risco de Porecatu, mais uma vez, tornar-se um palco de guerra pela terra como já ocorreu pelos anos de 1949 a 1951, na chamada “Guerra de Porecatu”.
Hoje em dia vivo em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. Mas conheço cada palmo daquele chão, das fazendas dos grandes como dos sítios dos pequenos. Me criei lá… e sei do que estou falando.
O resto, sim, é balela!
Rodini Netto |