Dia desses, estava eu a passar pelos corredores de uma Casa de Leis onde costumo efetuar o trabalho de cobertura jornalística, quando adentrei à sala do cafezinho, que é comum a todos os mortais.
Conversei com algumas pessoas que ali se encontravam e, não mais que de repente, um assessor de um edil local me indaga: "você acha que está certo o que você escreveu?", "você acha que pode escrever o que escreve aqui?", "O que você está querendo dizer com isso aqui?". "É melhor tomar cuidado com o que escreve"!
Para bom entendedor, isso não passa de intimidação (e das mais claras). Sabe-se lá o porque, este assessor (que nunca teve o hábito de questionar o que escrevo), de uma hora para a outra, me veio com essa.
Se foi a mando de alguém, já não sei.
Mas sei que, se pensam que ainda vivem nos tempos da ditadura, vivemos hoje numa democracia, onde o direito de livre expressão é real, e onde a intimidação (ou tentativa de), não combina com o Estado Democrático de Direito.
A verdade é que, no meio político, esse tipo de intimidação sempre acaba por ocorrer.
Basta ver o jornalista que foi agredido por um candidato ao Senado (será que concorre também a uma vaga na cadeia), que por discordar de suas perguntas, partiu para a briga.
Se essa moda pega, voltamos aos tempos em que o cerceamento da expressão, a censura, e a ignomínia, passam a ser comuns. Longe pra lá esse tempo, diria alguém.
Acontece que alguns provincianos continuam a propagar esta prática, ainda mais quando não conseguem "comprar" aqueles a quem, sabem, podem vir a se tornarem "pedra de tropeço" para suas ambições políticas.
A verdade é que intimidação não combina com Democracia... e todos aqueles que agirem de forma antidemocrática, devem ser (e serão) desmascarados.
Sou um dos filhos da geração que teve os pais que vivenciaram a ditadura. Dos meus 39 anos, vivenciei o final desta praga. Aos 14 anos (1984), ainda na Juventude do PMDB, comecei a militar em política e, desde então, nunca mais deixei de me envolver naquilo que os ventos da democracia trouxeram a nós.
Vivemos, em 1988 e 1989, como representantes do movimento estudantil secundarista, as lutas contra a arbitrariedade policial que atacou professores na frente da Assembleia Legislativa do Paraná, e hoje marcam a História.
Participamos, a duras penas, da reorganização do movimento estudantil do Paraná de 1989 a 2006, juntamente com companheiros como Paulo César Medeiros (o Paulinho, hoje professor), Márcio Killer (bancário, dirigente do Sindicato dos Bancários de Curitiba), Professor Kico, Márcio Sanches (ex-presidente da Ules, hoje publicitário), Sidnei Silva (hoje presidente do PT de Londrina), André Passos (ex-vereador de Curitiba, advogado), Maurício Cheli (hoje assessor do Deputado Federal Angelo Vanhoni), e tantos outros, como o ex-presidente da Ubes, Joel Benin, Esmael Morais (jornalista e blogueiro político), o ex-deputado federal e meu amigo Ricardo Gomyde, minha amiga, advogada Gleisi Hoffmann, e o atual Ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, que à época em que fui Secretário de Imprensa da UPE, era o Presidente UNE (quantas conversas e bate-papos em Curitiba, Londrina, São Paulo e Brasília).
Muitos outros nomes marcaram a minha vida política e são, ainda, pessoas que tenho na alta estima. Destes, não me lembro de algum que possa citar como alguém que cedeu à intimidação, assim como eu não cedi e não cedo.
Se podemos hoje escrever, falar, ter liberdade, é porque milhares de pessoas também não cederam e, por isso, tombaram pela tortura e os massacres promovidos pela Ditadura Militar.
Queremos voltar a isso? Claro que não.
Intimidação, meus caros, não combina com Democracia.
Pela liberdade de expressão, pela liberdade de opinião, pela democracia!